Algumas histórias

No ano de 2007 foi encontrado na República Dominicana o fóssil de uma abelha que carregava políneas de uma orquídea (como na foto abaixo) quando ficou presa em âmbar . Este fóssil data de 20 milhões de anos aproximadamente, o que levou pesquisadores a recalcular a origem das orquídeas em 80 milhões de anos atrás, no final da era dos dinossauros!

inseto com políneas (amarelas) nas costas

 

 

Durante todo esse tempo as orquídeas foram desenvolvendo técnicas de adaptação aos mais diversos ambientes do planeta. Das florestas úmidas da Amazônia às tundras asiáticas, elas só não estão presentes em territórios permanentemente congelados e em desertos. Por estes motivos elas eram muito admiradas pelo naturalista britânico Charles Darwin. Um dos exemplos do impressionante grau de evolução da família orquidaceae é a estrutura de sua flor onde se encontram os órgãos sexuais masculinos e femininos, completamente adaptado ao formato e hábitos dos polinizadores presentes no seu habitat. O posicionamento destes órgãos não permite que o polinizador autofecunde a mesma flor porque faz com que o polinizador retire as políneas somente na saída e o cruzamento acaba sendo feito entre flores diferentes. Isto promove a constante variação genética que é muito importante no processo de adaptação a ambientes tão variados .

As orquídeas têm fascinado os homens por mais de dois mil e quinhentos anos. Por volta de 500 a.c. o filósofo chinês Confucio, encantado com o perfume delas deixou registrado em seus escritos: “lan exala perfume de reis”. Lan é como se referia às orquídeas. Depois foi também descrita na Grécia por Teofrasto, que a chamou de orchis, de onde derivou seu nome atual.

Os Astecas já utilizavam a fruta de Tlilxochitl, uma espécie de Vanilla, como uma das mais cobiçadas especiarias que era usada pra aromatizar uma bebida espessa à base de cacau chamada de xocoatl e admiravam a beleza das Coatzontecomaxochitl, as Stanhopeas, que eram tidas como flores sagradas as quais cultivavam em seus jardins.

Em 1818 chegaram à Europa os primeiros exemplares de Cattleya labiata vindos do Brasil, que foram as primeiras Cattleyas identificadas e que com suas flores grandes e coloridas encantaram os colecionadores da época, que iniciaram um ciclo de buscas  frenéticas a estas plantas dos trópicos. As orquídeas levaram pessoas a cometer loucuras difíceis de acreditar. Os nobres europeus nos séculos XVIII e XIX pagavam fortunas para os “caçadores de orquídeas” que organizavam expedições ao redor de todo o planeta atrás destas plantas para aumentar suas coleções e possivelmente descobrir novas espécies. Estas expedições enfrentavam todo tipo de dificuldades e doenças em viagens extremamente incômodas e longas em nome das orquídeas.

Hoje em dia, graças às técnicas modernas de propagação por meio de sementes ou meristemas, é muito mais fácil (e correto, ecologicamente falando) encontrar orquídeas de diversas partes do mundo com produtores especializados, e com um pouco de conhecimento podemos criá-las em nossos orquidários, aumentando assim nossas coleções!